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Home » Publicações » Música Erudita e Música Popular II




MÚSICA ERUDITA E MÚSICA POPULAR II

Sidney Molina


Tratemos de música popular sem preconceitos eruditos.

Muitos aceitam como música popular apenas a chamada música étnica. Isso, no entanto, esvazia o mundo da música popular de suas próprias técnicas de composição e interpretação. Música popular não é folclore, não é música dos índios brasileiros ou das tribos africanas. Da mesma forma que a música erudita, a música popular baseia-se em diversos ambientes sonoros para constituir uma reflexão musical própria. Ao contrário da música étnica - que não se configura em "obras" - a música popular é autoral e tem estilos específicos, que se manifestam em gravações e apresentações ao vivo. Se a música erudita não é "européia" em sua essência, a música popular também não é essencialmente "americana", nem "latina", nem "brasileira", nem "africana", nem "inglesa", apesar da força de importantes movimentos nascidos e desenvolvidos nesses lugares.

Outra crítica que músicos eruditos podem fazer à música popular é a preconceituosa equiparação entre "música popular" e "música de consumo". Em primeiro lugar, como vimos no artigo anterior, a música erudita também é consumida. Há, inclusive, muitos produtos artísticos de baixa qualidade no "mercado erudito". Em segundo lugar, cabe uma distinção entre a canção popular e a música instrumental popular: a música instrumental popular derivada do jazz não se identifica com a música de consumo há pelo menos cinco décadas, desde o bebop. O caso da canção popular, por seu turno, deve ser estudado com cuidado: até o início dos anos 80, no Brasil, a composição de canções não esteve atrelada apenas ao mundo do consumo imediato, mas foi um espaço privilegiado de manifestação artística. O existente não é a medida do possível. Pode haver experimentalismo na canção: dizer que as relações estabelecidas entre letra, melodia, harmonia e ritmo por autores como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Tom Jobim ou João Bosco não sejam o produto de um grau sofisticado de elaboração, de um consistente artesanato, é, no mínimo, uma irresponsabilidade. Analogamente, o mundo do pop e do rock também tem deixado pérolas de significado artístico em meio ao mar do descartável. Basta saber procurá-las. Não sabemos se é por ignorância ou má fé que muitos músicos eruditos afirmam que a música popular se resume apenas ao que é veiculado por Gugu, Xuxa e Faustão.

A essência da música popular não se confunde com algumas de suas manifestações exteriores. Será que não podemos, também aqui, tentar definir a música popular a partir de características técnicas de sua construção?

Curiosamente, quando tomamos o projeto da música popular instrumental de origem jazzística, encontramos alguns aspectos complementares aos da música erudita. Assim como a escrita artesanal marca a música erudita, a improvisação do intérprete é a característica mais marcante do jazz. Jazz, para nós, aqui, não é um "estilo", mas uma tradição de desenvolvimento da linguagem popular instrumental. Jazz não é um "fenômeno americano", mas uma maneira de pensar e realizar música. Jazz pode incorporar a improvisação polifônica de New Orleans, a melodia acompanhada do swing, a especulação harmônica do bebop, o impressionismo cool, o atonalismo free e as fusions pós-modernas. Jazz pode usar ritmos latinos, brasileiros, orientais, africanos e europeus. Jazz pode usar o pop e o rock.

Jazz é, portanto, aqui, um processo que funda uma tradição de desenvolvimento da relação entre tema e improviso. Essa relação é essencial para a música popular que se constitui como um caminho autônomo para o músico de hoje.

Assim como variações eruditas escritas sobre um tema popular, os chorus de improvisação sobre um standard podem buscar relações profundas com o tema, podem revelá-lo sob aspectos inesperados.

Ainda há, no entanto, um preconceito a ser desmontado: muitas vezes, o músico erudito não consegue perceber as relações estruturais do improviso com o tema. O improviso é muitas vezes entendido como uma espécie de virtuosismo vazio e inconseqüente. Não é isso, no entanto, que ouvimos nos bons improvisadores: independentemente do estilo, a boa improvisação traz relações, traz idéias. Há uma estrutura na improvisação da música popular que complementa o improviso na escrita da música erudita.

Muitas comparações podem advir dessa visão mais abrangente e processual de jazz e música erudita: eu e o músico Sérgio Molina desenvolvemos, há alguns anos - apenas para citar um exemplo entre vários possíveis -, um curso de história da música onde os períodos da música erudita eram comparados passo a passo com os estilos do jazz. Esse curso transformou-se, posteriormente, numa série de programas transmitidos pela Rádio Cultura FM ("A Escrita e o Swing: um concerto em jam session").

Outra conclusão que podemos extrair de nossa busca pela identidade da música popular e da música erudita e pela diferença entre ambas é que os preconceitos são mútuos, tanto do popular ao erudito quanto do erudito ao popular. Nesse caso - a exemplo dos diálogos socráticos - admitir não saber o que é música erudita ou música popular é o primeiro passo para o amadurecimento da reflexão.

De qualquer modo, independentemente da especialidade de cada músico - nem todos nós seremos Guldas, Jarretts, Coreas, Marsalis ou Gismontis - não podemos nos dar ao luxo de desprezar experiências sonoras propostas por 50% das músicas de qualidade para sustentar preconceitos estúpidos: temos de aprender a ouvir música erudita e música popular.


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