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Home » Publicações » Níveis de Escuta de uma Obra Musical I




NÍVEIS DE ESCUTA DE UMA OBRA MUSICAL I

Sidney Molina


Somos continuamente bombardeados tanto por impactos visuais quanto por sonoros, mas há um mecanismo "injusto" atuando: enquanto que o campo visual é enfatizado na educação básica a que temos acesso, a experiência auditiva não é trabalhada suficientemente pela educação fundamental e média. As tecnologias visuais - como a TV, o vídeo, o cinema, o computador, os "games", etc. - são consideradas meios cujo domínio e compreensão são "essenciais" para a formação de homens e mulheres do século XXI; estudar guitarra e violão, teclado e piano, bateria e canto, baixo elétrico e violoncelo, harmonia e contraponto, composição e regência, por outro lado, ainda parece uma "excentricidade", ou um "luxo". No mínimo é um "lazer caro". Talvez seja, inclusive, uma "perda de tempo". Enfim, é "praticamente uma loucura".

As conseqüências de uma cultura que privilegia a educação visual são fáceis de ver: se, por um lado, a maior parte das pessoas possui um certo senso estético visual - não é preciso ser um gênio da arquitetura ou das artes plásticas para ter alguma noção de equilíbrio, de proporção ou de saturação de uma cor -, por outro, quantas pessoas podem perceber proporções e formas sonoras, reconhecer uma cadência harmônica, discernir linhas melódicas independentes, conscientizar-se de variações timbrísticas?

Não é por acaso que vivemos num momento em que multidões são manipuladas através da música: somos encorajados a estudar tudo menos música, e sofremos com isso, tendo que agüentar uma quantidade enorme de "lixo sonoro" à nossa volta. O lixo não pertence a um "determinado estilo": há lixo em todos os estilos. Samba não é lixo, mas muitos sambas o são; rock não é lixo, mas muito do rock é de baixa qualidade. Há lixo instrumental e vocal. Há lixo erudito, também.

Algum mecanismo perverso exige que um determinado grupo de pessoas ouça apenas um único tipo de música. Isso soa, no entanto, totalmente ridículo: dar-se ia o mesmo se só comêssemos um único tipo de alimento, ou se somente vestíssemos roupas de uma certa cor. Sabemos que, para ter um paladar apurado, para ter realmente um gosto, é preciso ter contato com diversos tipos de alimentos. Só assim poderemos desenvolver preferências reais, sem preconceitos. Além disso, muitas pessoas dizem que, no caso da música, não é necessário "pensar", que basta "ouvir": "de gosto não se discute", "só os músicos precisam saber música", os outros "são leigos", e está "tudo bem". Não está tudo bem.

Como assim? Por que não está tudo tão bem? Ora, então é necessário saber cozinhar para perceber que a comida não está boa? É preciso ser um padeiro para provar o pão? É preciso ser um engenheiro para constatar que um carro está quebrado? É preciso ser um médico para sentir se estamos ou não passando mal? É preciso ser um advogado para indignar-se com uma situação injusta?

Claro que não, assim como não precisamos ser músicos para que percebamos as fraquezas de uma composição ou de uma interpretação, desde que cultivemos nossa percepção musical pelo menos tanto quanto temos desenvolvido, de alguma maneira, a sensibilidade de nosso paladar, ou um certo senso prático para detectar problemas mecânicos, ou alguma compreensão do processo saúde-doença, ou a consciência de princípios éticos. Tudo isso não veio só de graça, foi fruto também de algum trabalho pessoal, de observação, de experiência acumulada, do desenvolvimento de algum senso crítico.

É necessário semear e cultivar a sensibilidade musical. Precisamos de critérios para ouvir música, para apurar o nosso gosto musical. Ouvir música não é apenas um processo passivo, "que entra por um ouvido e sai pelo outro": precisamos parar de apenas ouvir e aprender a escutar música. Como podemos transformar a audição passiva numa escuta ativa?


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